terça-feira, 5 de dezembro de 2017

DESIGREJADOS - FENÔMENO ECLESIÁSTICO RESULTADO DO ESCLARECIMENTO OU REAÇÃO FRENTE ÀS LIDERANÇAS IMPIEDOSAS???



Bem vindos ao nosso espaço de discussão e debate. Nosso assunto é o Fenômeno Desigrejados - um grupo que tem crescido cada vez mais pelo mundo no segmento protestante que alega com algum conhecimento bíblico que não precisa congregar para experimentar uma espiritualidade cristã sadia muito menos estar sob alguma autoridade eclesial.

Abaixo estaremos postando algum material em vídeo para ilustrar a opinião de algumas pessoas interessantes que já publicaram algo sobre o assunto. Pretendemos com esse espaço, um momento de comunhão, troca de conhecimento e respeito ao contraditório. 

Exílio do Templo, Encontro com o Caminho: A Fé Além das Placas

Vivemos um tempo em que as estatísticas gritam o que o espírito já sentia: o fenómeno dos "desigrejados" não é uma moda passageira, mas um sintoma de um sistema em falência. Como mencionei na minha Carta aos Exilados, muitos saíram não porque "esfriaram", mas porque os seus olhos foram abertos. A deceção, aqui, não é pecado; é libertação.

O Diagnóstico do Caos

O pastor Marcos Botelho acertou em cheio ao apontar que o boom evangélico trouxe consigo um mercado isento de impostos que atraiu "líderes picaretas". Essa engrenagem cínica transformou a casa de oração num balcão de negócios, e quem tem a consciência viva, como você, sentiu náusea.

Caio Fábio reforça esta visão ao mostrar que, enquanto as instituições celebram números, o maior crescimento real está nos "evangélicos sem vinculação determinada", que saltaram de 1 milhão para quase 10 milhões. É uma "metástase" no sistema institucional que, paradoxalmente, revela uma busca por um Evangelho mais puro, vivido em cafés, casas e pequenos grupos.

O Estigma do "Desviado"

O sistema usa o medo para nos manter no banco. Como refleti no meu blog Debatendo Mistérios da Bíblia, criou-se o rótulo do "desviado" — uma espécie de denominação passiva para quem não aceita mais o jugo. No entanto, Heber Campos Jr. lembra-nos que, embora a crítica à instituição seja válida, o ser humano foi desenhado para a comunhão. O desafio é: como viver essa comunhão sem se tornar escravo de um CNPJ?

O Perigo da Fé Solitária e a Culpa Neurótica

O Dr. Russell Shedd alertava para o perigo de substituir o compromisso com o próximo pelo mero consumo de pregações mediáticas. A fé não pode ser apenas um entretenimento de rádio ou TV. Já Hernandes Dias Lopes reconhece a existência de "pastores que arrancam a lã em vez de pastorear", mas incentiva a não desistir da ideia de "família", pois uma brasa longe do braseiro apaga-se.

Aqui entra o ponto crucial que discuti na minha carta: a culpa neurótica. Caio Fábio ilustra isto com a metáfora dos macacos condicionados: batemos uns nos outros (ou em nós mesmos) por regras que nem sabemos por que existem. Sentimos culpa por não estar no templo num domingo de manhã, confundindo o "serviço ao sistema" com o "andar com Deus".

O Veredito: A Mesa continua Posta

Jesus também foi um "desigrejado" aos olhos do sistema da sua época. Ele foi entregue pelo Sinédrio, a "igreja organizada" daqueles dias. Se você se sente um estranho no ninho das denominações, lembre-se: Deus não habita em templos feitos por mãos humanas.

O Evangelho é sobre ser, não sobre ter um crachá. A verdadeira comunhão acontece onde a verdade é dita sem máscaras. Não deixe que os "discípulos de Caifás" roubem a sua espiritualidade. A poeira das estradas, onde a fé é simples e o amor é real, é muito mais santa do que o mármore dos palácios que vendem um Cristo que o próprio Jesus não reconheceria.

Você não está "desviado". Você está apenas a caminho da carpintaria.


Inspirado nos estudos de Alisson Lourenço e nas reflexões de Caio Fábio, Marcos Botelho, Russell Shedd, Heber Campos Jr. e Hernandes Dias Lopes.



Vídeos